Comentário: ferida estrutural entre EUA e Europa é incurável com administração Trump

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Desde que os Estados Unidos e a Europa firmaram sua aliança após o fim da Segunda Guerra Mundial, suas relações sempre evoluíram. No entanto, quando o presidente norte-americano Donald Trump assumiu o cargo em 2017, adotou uma série de ações para discriminar e conter a Europa, o que degradou o relacionamento bilateral. A tensão entre as duas partes dificilmente mudará, mesmo com o acordo de cooperação alcançado recentemente entre os EUA e a UE.

Nos tempo da Guerra Fria, a Europa dependia estreitamente da garantia de segurança oferecida pelos EUA. No final da década de 1950, seis países europeus iniciaram um processo de integração europeia, na tentativa de abrir um caminho na área econômica em meio às disputas entre os dois supergigantes – EUA e URSS. Os EUA, no entanto, dominaram os assuntos internacionais e de segurança na aliança ocidental, fazendo com que os países europeus se alinhassem com os EUA nas crises de Berlim, Cuba e de mísseis de médio alcance. As exceções foram a França e a Alemanha, que se livraram gradualmente do controle norte-americano. Sob a liderança de Charles de Gaulle, a França se retirou da OTAN, e começou a desenvolver as suas armas nucleares. Já a Alemanha, com o governo do chanceler Willy Brandt, apostou na sua nova política a Oriente.

Após o fim da Guerra Fria, a Comunidade Econômica Europeia se desenvolveu para a União Europeia, reforçando significativamente sua importância nos assuntos políticos e econômicos internacionais. O bloco anunciou que se tornaria um “núcleo” e “referência” para a governança global neste “mundo caracterizado pela alta globalização e alta separação”. A UE não temeu em dizer “não” aos EUA. Em 2003, a França e a Alemanha lançaram uma guerra diplomática contra os EUA, se opondo à invasão do Iraque por este último.

A UE pediu a reforma da OTAN para que a voz europeia fosse reforçada. Além de conter a Rússia, os países europeus também prestaram atenção ao próprio controle da segurança europeia. A UE resistiu à expansão da OTAN para a Ucrânia e Geórgia, e elaborou uma estratégia de defesa comum.

A administração Trump piorou ainda mais as relações entre EUA e a UE. Após sua posse, há mais de um ano, as políticas unilaterais grosseiras de Trump sempre vêm desafiando a ordem internacional, mudando as relações tradicionais entre EUA e a Europa – marcadas tanto pela competição quanto pela aproximação. O governo norte-americano incentivou os países europeus a saírem da UE, e forçou os seus aliados europeus a assumirem mais despesas militares da OTAN.

No acordo de cooperação comercial firmado entre EUA e UE, o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, manifestou apenas as “boas vontades”. O documento não é suficiente para salvar as relações bilaterais. As divergências entre os dois lados, sobretudo nas áreas de segurança, governança global e controle econômico, são estruturais, e incuráveis durante a administração Trump.

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