Comentário: repetidas sanções dos EUA são traição à aliada UE

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A aliança entre os EUA e a Europa experimenta instabilidades recentes, sempre com mudanças imprevisíveis. No final de julho, o presidente dos EUA, Donald Trump, e seu colega da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, tiveram um encontro amistoso que, segundo eles, marcou uma nova fase de sua relação estreita. No entanto, já no início de agosto, os dois lados começaram a se criticar publicamente, revelando de fato uma “fase difícil” das relações bilaterais.

O fusível dessa tensão foi a sanção dos EUA contra o Irã. Após a retirada dos EUA do acordo nuclear do Irã em maio, o governo norte-americano anunciou no dia 7 de agosto uma nova rodada de sanções contra o país em áreas como finanças, veículos, metal e minérios, além de sanções no setor energético a partir de novembro. O diretor responsável pela elaboração de políticas do Departamento de Estado dos EUA, Brian Hook, deu um ultimato aos países envolvidos de “reduzir até zero a importação de petróleo do Irã” antes do dia 4 de novembro, para não serem alvos das sanções secundárias aplicadas pelos EUA.

A UE já havia sofrido muitas perdas colaterais devido às sanções dos EUA contra a Rússia. Perante a grande ameaça de segurança energética, com o possível fechamento do Estreito de Ormuz pela parte iraniana, a UE se viu forçada a tomar medidas de retaliação às sanções norte-americanas:

– As empresas europeias envolvidas nas sanções não precisarão respeitar as regras unilaterais dos EUA e têm direito de receber compensações correspondentes.

– Será prestada assistência ao Irã no valor de 18 milhões de euros, auxiliando no seu desenvolvimento socioeconômico e para compensar os impactos causados pelas sanções.

O ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Heiko Maas, publicou um artigo no jornal Handelsblatt, pedindo um sistema de pagamento independente dos EUA, clamando por uma revisão do relacionamento entre a Europa e os EUA.

A UE já não mais tolera as sanções dos EUA e os impactos que Washington impõe ao multilateralismo e às regras internacionais. O país tem aplicado políticas partindo apenas de um único princípio: “Prioridade aos EUA”. As ações norte-americanas expandiram as divergências e contradições com a Europa em muitas questões-chave, como políticas comerciais, segurança da OTAN, integridade europeia e políticas de refugiados, entre outras.

A aliança entre os EUA e a Europa foi estabelecida há cerca de 70 anos. Os dois lados tiveram uma boa parceria, baseando-se na visão comum dos valores. Hoje em dia, o governo norte-americano avalia as relações internacionais com uma visão de suma zero, desrespeitando as opiniões de seus aliados e ignorando seus interesses. Esse relacionamento imparcial resultou em uma divergência cada vez maior entre os dois lados.

Nas vésperas do Fórum da OTAN em julho, o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, pediu que os EUA respeitassem seus aliados europeus. A aliança EUA-Europa entrará num momento de instabilidade e de rompimento perante as ações unilaterais dos EUA.

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