Comentário: “Terrorismo comercial” dos EUA gera maus resultados no próprio país

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Vários blocos econômicos como a China, a União Europeia (UE) e o Canadá emitiram alertas sobre a guerra comercial desencadeada pelos Estados Unidos, salientando que uma “guerra comercial não tem vencedores”. Porém, até poucos dias atrás os conselheiros da Casa Branca não se importavam com isso.

A centenária fabricante norte-americana de motocicletas, Harley-Davidson, anunciou no último dia 25 que transferiria parte da produção de suas motos para fora dos EUA, com o objetivo de evitar as tarifas impostas pela UE, causando uma “tragédia” no mercado de ações. No mesmo dia, os cinco gigantes da tecnologia dos EUA, incluindo Facebook, Amazon, Apple, Netflix e Alphabet, perderam US$ 80 bilhões em valor de mercado.

Todo o mundo pode sentir a fúria do presidente norte-americano Donald Trump nestes últimos dias. Nos comentários emitidos via Twitter, ele acusou a Harley por ter sido a primeira a “levantar a bandeira branca”, ameaçou a empresa, afirmando que esta “será taxada como nunca”, e disse que “será o princípio do fim”.

No entendimento de Trump, a Harley é uma dos representantes do “Made in America” (fabricado nos Estados Unidos), um mérito que Donald Trump também compartilhava ao assumir a presidência. A Casa Branca cobra mais taxas sobre seus aliados, mas diminui impostos às empresas nacionais, com o fim de proteger as empresas americanas – como a própria Harley – que podem deslocar mais linhas de produção, capitais e postos de trabalho ao território nacional. Mas agora, o “mérito” tornou-se um “traidor”, e “o mais protegido” tornou-se “o primeiro a fugir”, o que contraria a vontade inicial de Trump.

O incidente com a Harley mostra que as políticas econômica e comercial do governo de Trump já emitem sinais de fracasso, e causará uma série de reações em cadeia. As indústrias de energia, agricultura e manufatura dos EUA atualmente sofrem muito. À medida que cada vez mais países adotarem tarifas retaliatórias, a Casa Branca poderá assistir a fuga de mais empresas nacionais. Caso os Estados Unidos taxem estas empresas com nunca antes, sem dúvida nenhuma, o “terrorismo comercial” causará primeiro maus resultados ao próprio país.

O atual “terrorismo comercial” dos EUA, exercendo pressão sobre os outros através do aumento de tarifas, já provoca grandes influências ao investimento, emprego, mercado e consumo globais. Os embarques de produtos em portos e no transporte aéreo desaceleram em todo o mundo, e os preços das matérias-primas-chave estão subindo. Os produtos agrícolas norte-americanos estão perdendo o mercado e as encomendas das empresas alemãs estão diminuindo. O presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), Jerome Powell, disse que pela primeira vez, ouviu de empresários que estes “decidiram adiar o investimento, adiar o recrutamento de empregados e adiar a tomada de decisões”.

Recentemente, a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, alertou que uma guerra comercial “não tem vencedores”. Agora, a Harley-Davidson quer transferir sua produção para fora dos EUA, e o presidente Trump ficou furioso. Em seguida, mais blocos econômicos como UE, Índia, Turquia, México e China aplicarão medidas de retaliação, e o governo dos Estados Unidos pagarão pelos seus próprios atos.