Comentário: uma audiência insignificante sobre o aumento de tarifas dos EUA

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Foi realizada entre os dias 20 e 27 de agosto uma audiência sobre o aumento de tarifas aos produtos chineses exportados aos EUA. Na ocasião, o presidente de uma empresa norte-americana de cortadores de grama, Michael Kersey, expressou sua oposição quanto ao aumento de tarifas aos produtos chineses no valor de US$200 bilhões e pediu que o governo seja mais cauteloso na elaboração de políticas.

Seu testemunho pode apresentar a opinião da maioria dos que participam da audiência. Eles pediram mais atenção do seu governo quanto aos interesses dos consumidores e das empresas dos EUA, mas saíram mais uma vez desapontados.

O item mais discutido nesta audiência foi uma questão que aparentemente não tem solução: como seria possível mudar a cadeia global de suprimentos. As mesmas perguntas foram levantadas: há outras vias de oferta além da China? Quando tempo é necessário para mudar a cadeia de suprimentos para fora da China? Por que não transferir os negócios da China para o Vietnã? E as respostas foram iguais: não há outras vias possíveis no momento. Estes processos requerem tempo e não há a possibilidade de mudar todos os negócios para Vietnã em um futuro próximo.

Os representantes de mais de 300 empresas participaram da audiência, que foi prorrogada de três dias para seis dias.

Atualmente, a cadeia de suprimentos ocupa 80% do comércio global, e a China já se tornou o “centro da cadeia de suprimentos do mundo”. Nos EUA, de sacos plásticos até componentes mecânicos são produtos na cadeia de suprimentos global. Segundo Michael Kersey, com a redução constante dos fornecedores norte-americanos, sua empresa transferiu em 2015 toda a sua produção à China. A relação comercial entre a China e os EUA é altamente dependente de uma relação de cadeia de suprimentos.

Até o momento, três audiências sobre os resultados da investigação 301 foram realizadas, e nelas as oposições ao aumento de tarifas vieram de diversos setores dos EUA, incluindo vendas ao varejo, processamento de alimentos, manufatura de equipamentos e chip semicondutor. Pelo contrário, as empresas siderúrgicas e de produtos de alumínio dos EUA exigiram o aumento duplo de tarifas aos produtos chineses desses setores, para que eles sejam mais capazes de excluir os competidores chineses. Tudo isso aconteceu nos EUA, um país que se proclama como a origem da economia de mercado e da concorrência justa.

As audiências são processos de rotina antes do governo colocar em prática as políticas de aumento tarifário, e não podem mudar uma decisão já tomada. Embora as oposições à tarifação tenham sido amplamente verbalizadas nas audiências, o governo norte-americano está determinado a aumentar as tarifas. O que restará para as empresas e os consumidores norte-americanos será desapontamento e desesperança.

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