EUA restringem investimentos estrangeiros sob o pretexto de segurança nacional

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Dias atrás, os Estados Unidos aprovaram o projeto de lei com reformas da revisão dos investimentos estrangeiros em relação à segurança nacional. Foi a primeira vez que os EUA fortaleceram e atualizaram as funções do Comitê de Investimentos Estrangeiros nos últimos dez anos, visando aplicar revisões mais rigorosas sobre a entrada dos investimentos estrangeiros.

O Comitê de Investimentos Estrangeiros dos Estados Unidos (CFIUS, na sigla em inglês) foi criado em 1975. Ele possui o poder de decidir regras de investimentos, fusões e aquisições de empresas estrangeiras. Com a ascensão ao poder do governo de Trump, o protecionismo comercial se torna cada vez mais acentuado. Portanto, o fortalecimento das funções do CFIUS é cada vez mais importante.

O pretexto dos EUA para restringir os investimentos estrangeiros seria a “segurança nacional”. Mas, na realidade, a verdadeira preocupação dos norte-americanos é que sua competitividade nos setores de ciência e tecnologia será superada por outros países.

Só em 2018, os EUA negaram diversas atividades de investimento. Entre elas, o negócio entre a empresa de Cingapura Broadcom e a norte-americana Qualcomm, a compra da empresa chinesa Ant Financial pela MoneyGram, e a aquisição do grupo chinês Da Bei Nong sobre o WaldoFarms. A explicação do governo norte-americano continuou a mesma: a segurança nacional.

No entanto, há sempre críticas de que a definição dos EUA sobre a segurança nacional é muito ampla e subjetiva, além das suspeitas de abusos. O presidente da Organização para o Investimento Internacional dos EUA, Nancy McLernon, disse que os investimentos são muito politizados e os Estados Unidos não podem defender exageradamente a segurança para causar instabilidade comercial.

As empresas chinesas são as principais vítimas das revisões e restrições aplicadas pelos EUA sobre os investimentos estrangeiros. A China já é o país mais revisado pelo Comitê de Investimentos Estrangeiros dos Estados Unidos pelo quarto ano consecutivo. As estatísticas mostram que, em 2015, 143 negócios foram revisados pela entidade. Entre eles, 29 envolvem empresas chinesas, ou 20% do total. De fato, os investimentos chineses não chegam a 0,2% de todos os investimentos estrangeiros nos EUA.

Outra estatística mostra que, em 2017, os chineses investiram US$ 29 bilhões nos EUA, uma redução de 35% em comparação com 2016. E nos primeiros cinco meses deste ano, o valor das fusões e aquisições e de investimentos diretos das empresas chinesas nos EUA foi de apenas US$1,8 bilhão, ou 92% menos que o verificado no mesmo período do ano passado, ou, ainda, o menor nos últimos sete anos.

A principal razão é que Washington fortaleceu as revisões de segurança nacional aos investidores chineses. O isolacionismo e o protecionismo dos EUA têm causado perdas para os dois países.

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