Ibovespa recua com investidores digerindo sequência de altas

Foto: Nacho Doce/REUTERS (21.03.2019)

 

A bolsa brasileira recua, nesta terça-feira, 9, com os investidores colocando no bolso parte dos lucros que tiveram ao longo dos sete pregões consecutivos de alta. O movimento, visto como natural após uma sequência positiva, também ocorre nas principais bolsas do mundo. Às 11h04, o Ibovespa, principal índice de ações caía 1,6% e marcava 96.116,15 pontos.

A queda das bolsas globais ocorre logo após o principal índice dos Estados Unidos, o S&P 500, ter zerado as perdas do ano. Ontem, o índice da bolsa de Nasdaq, com maior concentração de empresas de tecnologia, bateu a máxima histórica. Mas o forte movimento de alta tem feito investidores se questionarem sobre se há sustentação para tanto otimismo.

Gustavo Bertotti, economista da Messem Investimentos, acredita que que as últimas valorizações da bolsa estiveram “descoladas da realidade econômica”. “Hoje tem uma mistura de realização com correção e cautela. Acho que foi um clima de bastante euforia, com uma migração para ativos de maior risco, como companhias aéreas.”, disse.

Em meio à sequência de altas da bolsa, as ações da GOL e da Azul, que tiveram voos interrompidos devido ao risco de transmissão do coronavírus, chegaram a dobrar de valor. Os papéis da agência de turismo CVC, também bastante impactada pela doença, também apresentou forte valorização nos últimos dias, chegando a subir mais de 45% na semana anterior.

Henrique Esteter, analista da Guide Investimentos, ficou surpreso com o tempo que demorou para a bolsa interromper a sequência de altas. “A gente vinha em uma toada muito forte. O anormal seria se seguisse para o oitavo pregão de alta”, comentou. Para ele, no entanto, a recuperação da bolsa brasileira “faz sentido”, levando em consideração o movimento das bolsas internacionais.

Régis Chinchila, analista da Terra Investimentos, também não vê as recentes altas como “exageradas” e atribuiu a recuperação dos ativos às reaberturas das principais economias e aos pacotes de estímulos de bancos centrais e governos. “Uma maior liquidez global gera fluxo comprador para ativos de risco, enquanto a renda fixa segue pouco atrativa”, afirmou.

Embora veja os 100 mil pontos do Ibovespa como um “importante ponto de resistência gráfico e psicológico”, Chinchila tem notado a volta de investidores que visam o médio e longo prazo, como fundos multimercados. “Isso se confirma também quando olhamos para o acréscimo forte de volume financeiro do Ibovespa.”

No curto prazo, segundo ele, a queda taxa básica de juros deve servir de gatilho para ações de varejo e construção civil. Para a próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que será realizada na próxima semana, é esperado um corte de até 0,75 ponto percentual.

 

Fonte: exame.com

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