Ibovespa sobe com expectativa de recuperação econômica e estímulos

Ibovespa: após a aprovação da reforma da Previdência, como fica a Bolsa? (Cris Faga/Getty Images)

 

A bolsa brasileira sobe, nesta quarta-feira, 17, acompanhando os mais importantes índices acionários do mundo, que seguem em alta. O bom humor é impulsionado por estímulos e pela perspectiva de que a recuperação econômica ocorra de forma intensa, com o afrouxamento do isolamento social. No Brasil, o evento mais esperado do dia é a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre a taxa de juros Selic. Às 11h43, o Ibovespa, principal índice de ações, subia 1,2% e marcava 94.653,25 pontos.

No mercado, os investidores continuam repercutindo positivamente os dados de varejo americano, que vieram acima das projeções, e as compras de títulos de dívidas corporativas por parte do Federal Reserve (Fed) e do Banco do Japão. Também há grandes expectativas de que o governo de Donald Trump consiga emplacar um pacote de estímulo de 1 trilhão de dólares, que seria usado em investimentos em infraestrutura.

“Os dados de varejo dos EUA vieram, de novo, acima das projeções. Isso mostra que, aos poucos, a economia americana está se recuperando”, afirmou Gustavo Bertotti, economista da Messem investimentos.

Mas o otimismo com a recuperação da economia americana pode voltar a ser mitigado pelo presidente do Fed, Jerome Powell, que tem se mostrado mais pessimista. Ontem, em sabatina no Senado americano, ele voltou a adicionar incertezas sobre a economia americana e afirmou que só haverá uma recuperação completa quando a população tiver confiança de que o vírus foi contido. Hoje, Powell irá discursar na Câmara.

“Ele pode voltar a fazer preço. Os dados melhores do que as projeções tem aumentado as expectativas de uma recuperação em ‘V’, mas muitas vezes o Fed tem passado sinais de que não vai ser nessa velocidade, de que vai levar mais um tempo”, disse Bertotti.

Também há maior cautela sobre a possibilidade de uma segunda onda de contaminação, após novos casos de coronavírus em países asiáticos que já haviam atingido maior controle sobre a doença do que os americanos. Em Pequim, escolas voltaram a ser fechadas, após serem registrados 137 infectados desde quinta-feira.

“A segunda onda é algo que não vai dar para conter. O número de casos na China ainda é pequeno. Muito provavelmente não vai ter lockdown”, disse Marcel Zambello, analista da Necton Investimentos.

Nos Estados Unidos, o ritmo de contaminação do vírus voltou a crescer, após os estados americanos colocarem em prática processos de reabertura. Na terça-feira, seis estados tiveram recordes de infectados pela doença. No entanto, autoridades econômicas do país, como o secretário do Tesouro, Ssteven Mnuchin, e o direto do Conselho Econômico da Casa Branca, Larry Kudlow, já descartaram um novo lockdown.

No cenário interno, as atenções estão voltadas para o Copom, que irá definir a taxa de juros no fim desta tarde. Para o mercado, é quase certo um novo corte de 0,75 ponto percentual, já que o próprio Copom sinalizou a medida, em sua última ata. Se as expectativas se confirmarem, a taxa Selic irá para 2,25% ao ano, renovando a mínima história.

Mas além da decisão, o mercado aguarda pistas sobre os próximos passos da política monetária.  Com o cenário de inflação baixa e atividade econômica, parte do mercado já vê a taxa Selic abaixo dos 2% até o final do ano.

 

Fonte: exame.com

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