Quais ferramentas a Rússia tem para enfrentar sanções dos Estados Unidos?

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O presidente da Rússia, Vladimir Putin, declarou nesta quarta-feira (22) que as novas sanções dos Estados Unidos contra seu país são ações contraproducentes e insignificantes. Ele alertou ao governo de Donald Trump que as medidas estão condenadas a falhar, pedindo normalidade no relacionamento Rússia-EUA. Lembre-se que Washington anunciou na última terça-feira adoção de novas sanções contra empresas, indivíduos e embarcações da Rússia, cujos ativos no território norte-americano serão congelados, além de serem proibidos a fazer negócios. A Casa Branca acusou os russos de invasão cibernética, fornecimento de apoio às empresas já sancionadas e venda de petróleo refinado aos barcos com bandeira da República Popular Democrática da Coreia (RPDC).

Já no início de agosto, o Departamento de Estado norte-americano criticou que o governo russo violou a lei internacional pelo envenenamento do seu ex-espião, razão pela qual decidiu impor mais sanções contra a Rússia. As medidas incluíram o impedimento da exportação dos produtos sensíveis à segurança nacional dos EUA.

Economistas comentaram que as sanções contínuas consistem na maior dificuldade para a economia russa. Mesmo que o governo de Putin esteja sem força econômica para responder às sanções, o comandante já tomou ações políticas e diplomáticas para combatê-las.

Como por exemplo, o Kremlin manifestou apoio comercial à Turquia após os Estados Unidos impor sanções aos turcos, em função da recusa em liberar um pastor norte-americano. O ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov, foi especialmente a Ancara para mostrar solidariedade. Já o presidente russo não somente participou pessoalmente do casamento da filha do ministro austríaco das Relações Exteriores, mas ainda se reuniu com a chanceler alemã, Angela Merkel, duas vezes dentro de três meses. Os dois até discutiram medidas para enfrentar as eventuais sanções norte-americanas contra um projeto cooperativo entre Rússia e Alemanha. Nesta rodada do jogo, os russos aproveitaram para fortalecer os contatos e interações com as alianças tradicionais do Tio Sam.

O passo seguinte foi reduzir posse dos títulos de Tesouro dos Estados Unidos. Segundo revelou o vice-primeiro-ministro russo, o investimento de Moscou nos ativos norte-americanos já foi diminuído para o nível mais baixo. Dados mostraram que entre março e maio a Rússia vendeu mais de US$81 bilhões em títulos da dívida pública norte-americana, tendo em posse ainda US$14,9 bilhões. Nas últimas semanas, oficiais de alto nível de Moscou asseguraram que o país pretende utilizar moeda própria para contas internacionais. Apesar de não serem efetivas, as medidas ajudam a controlar a desvalorização do rublo e reduzir sua dependência do dólar.

Além disto, a Rússia está buscando aliança com parceiros eurasiáticos. Antes em 2016, Putin formulou a ideia de “Grande Eurásia”, que incluem Índia, China e os países da Comunidade dos Estados Independentes. Obviamente, Moscou começou a aceitar a identidade asiática, em vez de enfatizar que pertencia à Europa. A prioridade da diplomacia russa está transferindo de Oeste para Leste.

Afinal de contas, o terceiro passo acima referido é de longo prazo. Putin tem abraçado a participação da União Europeia na inciativa “Grande Eurásia”. Caso se torne realizável, a melhora das relações entre Rússia e Europa pode fornecer uma saída poderosa para Moscou encarar as sanções dos Estados Unidos.

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