Caged: com perda de 10.984 vagas em junho, mercado formal segue reagindo

Pedestres de máscaras protetoras andam na Rua Alfândega, no Rio de Janeiro, 23 de julho de 2020. (Andre Coelho/Bloomberg)

 

O mercado de trabalho formal segue reagindo à crise do coronavírus, após registrar expressiva queda nas vagas em abril e uma modesta recuperação em maio.

O Brasil registrou 906.444 demissões de vagas formais em junho, segundo dados do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgados nesta terça-feira (28) pelo Ministério da Economia.

Diante de 895.460 contratações no mesmo mês, o saldo ficou negativo em 10.984 empregos.

Em maio, o saldo havia ficado negativo em 350.303, no pior resultado para aquele mês desde o começo da série histórica, iniciada em 2010.

No acumulado do ano, o saldo do emprego formal fechou o primeiro semestre negativo em 1.198.363, resultado de 6.718.276 admissões e 7.916.639 desligamentos.

Os números mostram que a deterioração do mercado formal vem sendo consideravelmente menor desde abril, o pior mês da crise, e quando a perda líquida do mercado formal foi de 918.286 vagas.

A projeção do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV) para junho era de um saldo negativo em de 220 mil vagas.

O secretário Bruno Bianco destacou em coletiva após o anúncio o crescimento significativo nas admissões, na ordem de 24% ante maio. Na mesma comparação, os desligamentos tiveram uma queda de quase 16%:

“A reação do mercado de trabalho mostra que uma recuperação em “V” (mais rápida) é possível, como o ministro Guedes tem dito”, diz Bianco.

Na comparado com os meses anteriores, a melhora do mercado formal é clara, segundo o professor de economia da Fipecafi, Samuel Durso, porém ainda estamos muito distantes dos resultados positivos do Caged: “É uma recuperação, mas ainda tem muito chão pela frente em termos de melhoria econômica de uma forma geral”, diz.

Durso ressalta que o governo ainda precisa definir com mais clareza como será feita a manutenção do nível de emprego após o término do prazo dos programas sociais.

O Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda, anunciado no fim de março pelo governo para auxiliar empresas no custeio da folha de pagamento, além de permitir a redução de salários e da jornada, foi prorrogado por mais dois meses. Segundo o secretário, passou de 15 milhões o número de empresas que aderiram.

Quando esse prazo terminar, porém, não há garantias que o cenário vá continuar melhorando, explica o professor:

“Essas medidas foram importantes para fazer as empresas segurarem ao máximo as demissões, porém, se a recuperação econômica não for tão rápida quanto se espera, pode ser que haja mais demissões depois do encerramento da política”, diz Durso.

 

Fonte: exame.com

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